sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Redes de varejo antecipam negociações para segurar preços da ceia

De olho nas vendas natalinas, as grandes redes de varejo anteciparam negociações com fornecedores, para garantir, aos brasileiros, produtos importados da ceia de Natal com preços similares aos do fim do ano passado. Assim, bacalhau, frutas secas, vinhos e azeites, em supermercados maiores, não vão sofrer os efeitos da alta do dólar - que, no ano, acumula valorização de 11,94%.

É o caso do Grupo Pão de Açúcar - com as bandeiras como Pão de Açúcar, Extra, Sendas e CompreBem - que encerrou as negociações há quase um ano. Com isso, a importação foi feita com um dólar mais baixo. A companhia espera ampliar em até 37% as vendas de frutas secas (noz, avelã e uva passa) frente a igual período do ano passado. A alta da oferta de vinhos deve ficar em torno de 15%. Já a expectativa para crescimento da venda de peixes, entre eles o bacalhau, é de 10%.

O estoque para o Natal já foi negociado e está praticamente todo pago. Não haverá alterações nos preços devido à alta do dólar. Se o dólar permanecer nesse patamar de R$ 1,80 por mais tempo, os efeitos para o consumidor devem começar a aparecer em janeiro e fevereiro. “Mas não acreditamos nisso: esse movimento do dólar não deve se sustentar”, disse Sandro Benelli, o diretor de Comércio Internacional do Grupo Pão de Açúcar. Apesar do porte menor do que a companhia de Abilio Diniz, a rede Zona Sul também fechou parte de suas encomendas para o Natal mais cedo e, com isso, os consumidores vão pagar praticamente o mesmo preço de 2010 por bacalhau, frutas secas, vinhos e azeites. Os panetones italianos já começaram a chegar nas lojas da rede.

“A alta do dólar neste momento não gera interferência. Os importados ainda deverão se manter atrativos ao consumidor em comparação aos nacionais”, disse Pietrangelo Leta, diretor do Zona Sul, que prevê expansão de 15% nas vendas dos artigos de fim de ano neste 2011.

Porém, nas pequenas lojas, os preços podem subir. Com dólar mais alto, há varejistas de pequenas redes de supermercados que preveem vender bacalhau até 20% mais caro. Frutas secas e vinhos até 15%. Os preços certamente vão subir. Com o dólar em alta, o bacalhau, por exemplo, pode ficar de 10% a 20% mais caro do que o que foi cobrado no fim do ano passado, disse Genival de Souza, diretor da rede Prezunic, acrescentando ainda que peru e chester também devem vir num patamar mais elevado do que no Natal de 2010. As negociações não começaram, mas já são esperados preços mais altos.
Fonte: O Globo - RJ

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