terça-feira, 25 de junho de 2013

Atacarejos e lojas pequenas são os campeões de vendas


Duas tendências confirmadas e uma surpresa. É o que aponta a análise dos resultados de cada formato de loja em 2012, segundo pesquisa de SM. Acertou quem apostou em mais crescimento de atacarejos e supermercados – sobretudo os pequenos. Porém se enganou quem considerava barbada a queda dos hiper: o formato reverteu a sequência negativa e elevou seu faturamento em 3,1%. Embora tenham perdido a imagem de preço baixo para os atacarejos desde meados de 2007, os hiper somaram R$ 55 bilhões em faturamento no ano passado. O resultado positivo é, em boa parte, reflexo dos investimentos dos gigantes. Um exemplo vem do Walmart, pioneiro na criação de hiper compactos no Brasil. No intervalo de um mês, no 4º trimestre do ano passado, a rede inaugurou cinco hipermercados: em Toledo (PR), Bagé (RS), Volta Redonda (RJ) e nas mineiras Passos e Patos de Minas. Da mesma forma, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) inaugurou nos últimos dois anos unidades do Extra Hiper em locais onde acredita haver espaço para o modelo. Em 2012 foram 6 novas lojas, 3 no interior paulista – uma das regiões onde o consumo mais crescerá até 2020 –, além de Várzea Grande (MT), Natal (RN) e Fortaleza (CE). Resultado: as vendas no formato tiveram alta real de 3,5%. A rede também iniciou a implantação de restaurantes, sempre próximos às rotisserias. A ideia é se adequar às necessidades do novo consumidor. "Queremos que ele encontre uma opção para comer fora, o que vai gerar fluxo maior de clientes nas lojas", afirma José Roberto Tambasco, vice-presidente da companhia. É um erro, portanto, menosprezar os hiper, ainda que seja cedo para cravar a recuperação do formato. Afinal, ele sofre com o novo comportamento do brasileiro – que prefere compras pequenas perto de casa, além de não ter resolvido a crise de identidade por deixar de ser a única alternativa de preço baixo. Entre os caminhos possíveis para o futuro do formato estão a valorização do mix do bazar – sobretudo dos itens eletroeletrônicos e de informática – e, principalmente, a expansão para regiões e cidades onde não há saturação de mercado, a exemplo do que vêm fazendo Walmart e GPA. Para Paulo Vicente Alves, professor de estratégia da Fundação Dom Cabral, as regiões Nordeste e Centro-Oeste podem ser um bom alvo para o formato. Dados do Ranking de Supermercados confirmam que essas regiões lideraram o crescimento do formato em 2012: no Nordeste a alta real de faturamento foi de 14%, enquanto no Centro-Oeste os hiper cresceram 12,9%. Para efeito de comparação, vale lembrar que no Sudeste o crescimento foi de apenas 3,7%.
Com custos mais baixos e a vantagem de atender, além do consumidor final, pequenos varejistas e transformadores, o atacarejo segue trajetória de crescimento. Em 2012 cresceu 16,7%. Miguel Angelo Hemzo, professor do curso de marketing da USP, explica que os preços baixos agradam a comerciantes e também ao público, sobretudo da classe C. "O volume é puxado pelas vendas aos pequenos varejistas e complementado pelo consumidor", diz.
Estudo da Kantar Worldpanel mostra que no ano passado 12,4 milhões de lares brasileiros fizeram compras no atacarejo, 26% mais do que em 2011. A pesquisa mostra ainda que 7 milhões de shoppers de hipermercados compram também no atacarejo. Em 2009 eram 5 milhões. O atacarejo vive atualmente um processo de amadurecimento, marcado pelo reposicionamento e ajuste da operação. No ano passado, por exemplo, o GPA, dono da bandeira Assaí, elegeu os pequenos comerciantes como público-alvo e desistiu de seções como padaria. Elevou ainda a presença de marcas líderes no sortimento. Já a rede Bahamas, de Minas Gerais, que trabalhava mais no atacado, optou também por atrair o consumidor final. Hoje, as três lojas de atacarejo da bandeira Bahamas Mix trazem vantagens para cada público. "Os transformadores e pequenos varejistas foram beneficiados por descontos em progressão, no conceito de quanto mais compras, mais economia", explica Jovino Campos, diretor comercial. Já o consumidor final passou a ter acesso a faixas de preço definidas de acordo com a quantidade adquirida. A diferença é que não há necessidade de levar uma caixa inteira para obter desconto. "Ao comprar uma unidade, o cliente paga o preço de varejo, já ao adquirir 6 unidades, tem desconto proporcional ao volume", exemplifica o diretor. No ano passado o atacarejo do Bahamas cresceu quase o triplo da média do grupo. Para este ano, estão previstas três inaugurações, duas na região da Zona da Mata e uma em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Com 7,9% de crescimento, o formato supermercado também supera a média do setor (7,6%). Destaque para as lojas pequenas – com até 6 checkouts –, responsáveis por uma alta de 23% nas vendas. "A vantagem dessas lojas é estar dentro dos bairros e conhecer de perto o público", explica Paulo Pacheco, consultor e professor do Ibmec. No interior de Sergipe, o supermercado Prado Vasconcelos conta com duas lojas de cerca de 300 m2 cada e com outra de mil m2. Ao observar que o ganho de renda da população gerava oportunidades, Manuel Prado Vasconcelos Filho, diretor-presidente, decidiu reformar a loja maior, que passou a contar com lanchonete e restaurante. Tudo para atender melhor o público e, claro, melhorar o resultado do negócio. Não deu outra: em 2012 as vendas tiveram alta real de 18%. Quem também investiu nas lojas pequenas de bairro foi a rede mineira BH. O sócio-diretor Pedro Lourenço de Oliveira conta que reformou 6 unidades no ano passado, instalando piso de granito, melhorando o layout e atualizando o sistema de informática. Concluídas as reformas, as vendas de cada supermercado cresceram entre 20% e 30%. "As classes C e D também querem loja bonita", constatou o empresário. Neste ano, a rede reformará mais 6 lojas e deve inaugurar outras seis, inclusive no interior. As vendas do BH tiveram crescimento real de 17,4% no último ano.
A verdade é que as pequenas lojas de bairro são hoje a melhor tradução do consumo da baixa renda. E o futuro promete muito mais.
Fonte: SM
Colaboração: C & A Consultoria de Varejo

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